Com as novas tecnologias mais contradições e novas soluções

Numa era onde a criatividade e o conhecimento são os principais ativos e a tecnologia acelera a difusão de conteúdos, as formas de contestação ao sistema estabelecido de opressão e exploração também adquirem novos contornos. Nem tudo são flores para os magnatas da "nova economia". E, por desestimular a criatividade, por restringir a utilização de importantes ferramentas - inclusive com regras de controle de exportação e sanções de comércio à livre distribuição - diversas comunidades pelo mundo notaram as contradições da ordem capitaneada por Bill Gates e, de maneira autogestionária, vêm desenvolvendo alternativas democráticas e radicais ao que estava posto como supremo e inquestionável.

Desta forma, gravadoras, editoras, e multinacionais do software tiveram seus interesses contrariados e viram, sobretudo, contestações ao perfeito sistema do mercado, este "ser" que parece ter vida própria. Surgiram os softwares livres, as redes Peer-to-Peer e, mais recentemente, o creative commons. Tecnologias e práticas de produção e organização que ajudam a democratizar o digimundo e que podem ser embrionárias de transformações mais profundas na triste realidade da maior parte do mundo real.

Meio ambiente degradado

A situação ambiental (entendida mais amplamente, não apenas como a fauna e a flora) é um dos principais indicadores da qualidade de vida da sociedade. O meio ambiente urbano, o clima, a agropecuária e seus impactos, a infra-estrutura de transporte e energia, o meio ambiente do trabalho, a ecologia digital e a biodiversidade são elementos, dentre outros, que avaliados hoje, indicam degradação, exclusão e irresponsabilidade com o presente e com o futuro.

Por conta disso, tem ganhado adesões um esforço social para rever e ampliar a noção de desenvolvimento, para entendê-lo como uma construção coletiva capaz de gerar qualidade de vida nas dimensões ambiental, econômica, social, cultural, tecnológica e ética. Isso implica, na prática, em ações que garantam Controle Social e democratização de acesso a bens básicos de maneira sustentável.

Juventude fator decisivo

Os jovens de todo o mundo são particularmente atingidos pela destruição da educação pública, pelos baixos salários, pelo desemprego, pelo meio ambiente sendo destruído, pelo racismo, pela opressão de gênero, e pelas mais diversas formas de discriminação e exclusão. Diante dessas mazelas, a juventude, ao contrário de se calar, tem sido protagonista de resistência ao lado dos oprimidos de todo o mundo. O presente e o futuro destes jovens estão em jogo e não é a toa que a maior parte dos integrantes dessa nova e criativa onda de contestação digital e ambiental é composta por eles.

Teclados Vermelhos como espaço de articulação

É tentando promover reflexões nestes e em outros sentidos que iniciamos o teclados vermelhos, agora na versão 0.3. A temática já tinha sido anunciada e este é um pontapé inicial. Convidamos algumas pessoas próximas para se tornarem articulistas nesta empreitada. Em breve teremos posts deles.

A internet ocupa um papel fundamental em nosso debate. Ela não pode servir apenas às elites insensíveis que realizam especulação financeira internacional provocando instabilidade em qualquer ponto do planeta. Este site e os sistemas web que serão incorporados para comunicação e articulação de pessoas e grupos visam utilizar bem este instrumento que é a rede mundial de computadores.

Existem muitos bons exemplos de uso da rede em uma perspectiva de organizar a sociedade para se contrapor aos que fazem das novas tecnologias mais um fator de aprofundamento das desigualdades. Vale até registrar um marco histórico que foi a articulação internacional que culminou com grandes manifestações em Seattle. Lá estava presente a Internet, desde a ampla divulgação das perspectivas da realização da Rodada do Milênio, passando pela organização de entidades e militantes de todo globo, chegando até uma cobertura dos acontecimentos que era difundida para todo o mundo sem passar pelos meios tradicionais. Nossa pretensão é bem mais modesta, queremos apenas ser uma ferramenta para uma rede de relacionamentos que já existe se consolidar e ampliar com consistência.

É importante que cada vez mais pessoas compreendam a importância deste movimento e a configuração de suas formas de organização. Devem ser realizadas discussões sobre o tema, promovendo uma aproximação da contestação digital com outras ações, organizando a utilização destes novos instrumentos tecnológicos, colocando-os a serviço das transformações sociais necessárias.

Precisamos tentar provar que a informação, o conhecimento e a produção cultural são patrimônios que podem ser coletivizados. Mais; com esta transformação temos que pensar também numa melhor racionalização da utilização dos recursos naturais e humanos, caminhando para por fim à exploração do trabalho e da natureza. É necessário provar que é possível repartir de outra forma os frutos do trabalho, efetivando uma verdadeira transformação social.

Somos pessoas dispostas a agir, transformando a realidade. Não somos donos da verdade. Tentaremos reunir os que tem o sentimento angustiado, mas jovial e disposto à luta, os que sonham e acreditam nos sonhos. Tentaremos usar a Internet e as tecnologias disponíveis, para fazer uma vida nova, para construir a mudança do mundo. Se você está de acordo entre em contato e contribua.